MARX de CU é HEGEL

 







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Sexta-feira, Junho 22, 2007

 
MUDANÇAS

Queridos leitores, a partir de agora, as atividades deste blog, estão sendo realizadas aqui. Comentários, críticas, elogios, catarses ou pura encheção de saco devem ser feitas lá.

Obrigada.


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Segunda-feira, Outubro 02, 2006

 
CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE

Realmente eu não sou adepta desses tipos de generalizações ignorantes. Esse tipo de afirmativa da margem para outras como dizer por exemplo que a responsabilidade da criança estar de rua é dela mesmo porque não quer estar ne escola, porque não quer mudar sua vida. Ou como dizer que o sujeito entrou pro tráfico por vontade própria porque na favela tem gente que vence a violência e a pobreza e vira advogado.

Mas diante da situação eleitoral que se estabelece no Brasil, como não acreditar nisso? Como não parar de repetir que isso aqui é um povinho bunda mesmo. Bunda. Bunda. Bunda-mole.

Político mensaleiro, sanguessugueiro se elegeu, político que sofreu impeachemant se elegeu. Aqui se elege de tudo: ladrão, canalha, assassino...

Eu sempre achei que esse negócio de anular o voto era bem a cara do povo brasileiro mesmo: mania de se isentar de responsabilidades. O sujeito vota no ladrão, o ladrão rouba e aí o próprio sujeito diz: "Tá vendo? Política não presta! político é tudo safado. Vou anular o voto nas próximas eleições!" Mas tu votou no ladrão e esperava que ele fizesse o que, ô bunda-mole?

O que as pessoas ainda não entenderam, e não sei por que, visto que é uma coisa muito simples e lógica, é que toda a corja de safados, toda essa gente que tem feito politica até hoje no Brasil, todos esses que o povo acusa de pilantras e ladrões, tem sido eleitos por nós mesmos ué...

Tirando o Lula, que boa parte das pessoas achava que não estaria envolvido com corrupção, toda essa gente que foi eleita aí, tem tido seus crimes divulgados na tv, circulando em listinha, os sujeitos mostraram a cara e alguns são até confessos... me explica como é que o sujeito vota nele? Valha-me, né? Merece ou não merece? É não ter o mínimo de interesse mesmo... e vai reclamar depois?

Trocou voto por asfalto na sua rua? Então toma! Agora agüenta esse bucha mais 4 aons seu otário. E não venha me dizer que porque é pobre que isso acontece. Porque pobre é ignorante e coisa e tal... não acho que prerrogativa para mudança seja a erudição ou o conhecimento não. Pra desejar a mudança, em primeiro lugar tem que estar incomodado. Quando está incomodada, até uma mula (mula mesmo, o quadrúpede) é capaz de uma atitude que obriga alguma reação do dono: ou empaca ou da pinotes.

Independente de nossa erudição ou escolarização, acredito que todo ser humano (com exceção das graves patologias cerebrais, é claro) tem essa capacidade: se afetar, se incomodar. E quando uma coisa nos afeta, a gente tem interesse por ela, procura saber, quer saber. Com o futebol não é assim? Com o carnaval não é assim?

O ignorante podia ter assistido o jornal, ter procurado se informar de quem era a corja do mensalão e sanguessuga. Isso tá muito recente ainda... Mas é bem mais fácil dizer que vai anular o voto na próxima eleição porque no Brasil só tem safado. É bem a cara de um povinho bunda-mole mesmo...

***

O Cristovam Buarque, que é um sujeito que, salvo mais uma enganação, tem sido integro e honesto até então, tem uma proposta maravilhosa para nossa educação, é um politico competente e foi excluído do Ministério Lula por não concordar com os absurdos dele. Foi em que votei pra presidente. Meu coraçãozinho encheu-se de esperança de novo. Ele fica assim quando penso na educação. O Cristovam teve pouco mais de 2% de voto. Como se explica isso? Bem, esse era o governo que EU merecia.


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Sexta-feira, Setembro 29, 2006

 
FELIZ

Caraco! Passei na prova escrita. E só tive 1 mês pra me preparar. Viva!



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Sábado, Setembro 23, 2006

 
CONFISSÃO II

Bosta. Não consigo entender raios do Grau Zero da Escritura. Filosofia de suvaco ou bandejinha pra petiscos nele?

Bem, o que é a escritura, diferente da escrita eu já entendi. Será que alguém pode desenhar o resto?

***

A prova do mestrado é segunda feira.

***

Meu pensamento libertário é muito mais cientificista e dogmático do que pensei que fosse. Viado do Barthes. E eu crente que tava abafando...

***

E a prova do mestrado é segunda feira.


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Quarta-feira, Setembro 20, 2006

 
CONFISSÃO

As pessoas não param de me perguntar porque eu vou tentar o mestrado para Letras e não para História. E toda vez é o mesmo sentimento de "Ai, tudo de novo."

A verdade é que eu realmente achava que tinha um projeto. E um projeto relativamente bom diga-se de passagem. E sério. Modéstia à parte, se há coisa que eu adoro fazer é teorizar. A prática pra mim é uma questão de pura adequação.

Bem, eu que nunca acreditei mesmo nesse blá blá blá dos historiadores, tinha um projeto pra levar para Letras. E uma coisa muito sofisticada e que ia me dar um puta trabalhão de pesquisar - e que fosse muito provável que as vésperas de entrega de dissertação eu já tivesse desistido e desacreditado de tudo - mas que me deixou muito disposta: eu realmente encontrei por esses meses, um objeto onde exercitar a minha fé. Ou razão. Tanto faz.

O que está em questão, é o estudo do discurso do historiador. E eu achei muito adequado estudar Teoria Literária pra isso. Mas a descoberta maior, a que motiva a continuidade da minha pesquisa, é que os criticos literários são muito mais picudos que os historiografos. O troço é grande. Eles são muito mais sagazes - pra usar vocábulo da moda - que os historiografos. Por isso as respostas destes últimos as questões colocadas pelos primeiros são sempre esquisitas. Se é que se pode usar uma terminologia dessas para designar uma situação dessas. O que estou tentando dizer, é que os criticos literários conseguem dizer as coisas que eles querem dizer. Enquanto os historiografos ficam com aquela cara de bundões, o beiço trêmulo e o coraçãozinho dilacerado de rancor por esses outros aí. E, então, quando cismam em retrucar, o ódio motivador e a cara característica, reduzem a resposta a uma tautologia muito mais ou menos e cansativa.

Mas ainda não cheguei lá. Na verdade, por trás dessa grande constatação toda da sagacidade da critica literária está, no primeiro plano sobre a descoberta que motiva minha continuidade, uma coisa muito particular: eu gostei da Teoria literária porque na verdade, os caras são muito mais legais do que o pessoal da Teoria da História. E legais é mesmo a palavra muito certa. Se eles fossem só mais sagazes, mais eruditos, mais teóricos, mais, mais, mais... isso só talvez não bastasse. Eles são muito é legais. Como aquele passeio meio inesperado que você achava que ia ser uma chatice e o troço vinga num programão.

Agora, porque eles são tão legais? Porque eles tem pretenções muito mais fabulosas - e isso é um recurso semântico - que as do historiografos. Ou melhor: as pretenções fabulosas são tão mais bem acarinhadas, preparadas, que é uma de uma dor desconcertante e de um ímpeto de negação, não sentir-se capaz de fazê-las faze-las críveis.

***

Hoje estava no Centro da cidade estudando Teoria literária na biblioteca de CCBB quando fui a padaria tomar um café. Diante de uma inesperada imagem senti o encantamento paralizante dos sentimentos muito infantis: vi pela primeira vez na vida, ao vivo e de pertinho, em meio a mágicos, carruagem e muitas cores, um saci. É, um saci!

Mas estranho... ele tinha as duas pernas...


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Terça-feira, Agosto 29, 2006

 
Parei de ler. Senão não paro de postar.


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TEM MAIS!

GMN - O senhor é uma dos maiores especialistas brasileiros sobre o período de dominação holandesa no Brasil. Se os holandeses tivessem ficado no Brasil, nós estaríamos hoje numa situação melhor ou pior ?

ECM - Não há historiador que possa dar resposta a uma pergunta dessas. Se der, não é historiador. Mas, no século dezenove, houve uma tendência nativista de negar o valor da colonização portuguesa e dizer que, se os holandeses tivessem permanecido no Brasil, o nosso país seria um país muito mais próximo dos padrões ocidentais de vida. O que existe por trás desse debate é uma opção ideológica. É preciso partir de um princípio determinado para dar uma resposta. Se o essencial da história brasileira é a preservação da unidade nacional e da integridade territorial, então é evidente que a colonização portuguesa foi preferível, porque garantiu essas condições. Mas, se você achar que o importante não é a unidade nacional ou a integridade territorial, mas a adoção de valores mais compatíveis com a democracia, com os direitos humanos e com o desenvolvimento capitalista, então é possível e plausível que a colonização holandesa tivesse sido mais favorável. De qualquer forma, não se deve esquecer que a Holanda colonizou a Indonésia atual, um país que, pelo que se sabe, não parece ter assimilado as grandes virtudes nacionais do povo holandês. Toda esta discussão me parece um pouco acadêmica.."

***

Nessa hora eu tenho CERTEZA ABSOLUTA que ele xingou o jornalista!


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SÓ MAIS ESSA

Eu sou muito preconceituosa com os jornalistas ou todo mundo também acha que estes tipos de perguntas colocações e - pior! - julgamentos culturais só devem ser revelados em entrevistas a Xuxa?

GMN - O senhor já reclamou da falta de objetividade do brasileiro. Aqui, quem é pouco objetivo é "tido como inteligente". O senhor quer [Deus! O que me importa o que ele quer? Será que ele quer que o Brasil ganhe a próxima copa?] que o brasileiro se transforme num alemão - metódico, frio e eficiente? [Feio, bobo, cabeça-de-mamão!]

ECM - Não. Ocorreria uma negação da autenticidade do brasileiro se ele se transformasse num alemão. Mas seria bom que o brasileiro tomasse consciência de uns tantos defeitos da sua formação cultural e procurasse corrigi-los num sentido mais compatível com as exigências de um mundo crescentemente globalizado. Não adianta, diante da globalização, fincar os pés no terreno ou fazer como um avestruz. Não se pode ignorá-la ou detê-la. É preciso encará-la e enfrentá-la como brasileiro, mas também com a consciência de que a globalização vem trazer mudanças completamente irresistíveis".

***

O cara tem a oportunidade de entrevistar o cara e olha as perguntas que ele faz... valha-me!


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O TRIBUNAL DA HISTÓRIA
Essa é a melhor pergunta que se pode fazer a um historiador.

O jornalista (é, já tinha me esquecido deles...) Geneton Moraes Neto em entrevista na Globo News com, segundo ele, "O mais importante historiador do Brasil". Porque jornalistas insistem nisso? É tão desnecessario... É sempre o melhor isso, o maior aquilo. Eu acho isso de uma pequeneza de argumentos que não pode constar num jornal. Nem por acidente...

GMN - O julgamento da história vai ser favorável ou desfavorável a Getúlio Vargas ?

ECM - Todo julgamento da história é misto. É raro a história fazer julgamentos completamente positivos ou completamente negativos. Getúlio deixou um herança que, como toda herança política, é ambígua. Podem-se ver pontos positivos, assim como podem-se ver falhas incríveis. É evidente, por exemplo, que ele foi o responsável por toda essa onda populista que se gerou no Brasil dos anos quarenta para cá. Igualmente, é inegável que ele tinha uma inclinação autoritária bastante pronunciada. Getúlio se beneficiou da inclinação autoritária que havia na sociedade e no regime político para permanecer longo tempo no poder. Mas é também inegável que, durante o governo de Getúlio Vargas, o Brasil alcançou metas importantes, sobretudo em matéria industrial. Pela primeira vez, teve-se a noção de planejar a economia brasileira no sentido da industrialização do país".

***
E eu me pergunto imaginativamente: o que será que passou na cabeça de Evaldo Cabral ao ouvir essa pergunta?

***

E você? No caso de a História resolver te julgar também, você já pensou para quem rezar e pedir a redenção?

***

Eu acho sim o Evaldo Cabral um grande historiador. Só acho que o jornalista é que realmente não sabe o que seja isso.


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Sexta-feira, Agosto 18, 2006

 
GASTANDO A ERUDIÇÃO.
Utilizações alternativas para os grandes livros dos grandes pensadores.


Humano, Demasiado Humano (NIETZSCHE, F.) : espécie de calço para colocar com manejo entre a parede e a cabeceira da cama pra fazer parar aquele barulho irritante da pancada na hora dos movimentos sexuais.

Filosofia das Formas Simbólicas. (CASSIRER, E.): apoio para copos: drinks, cerveja ou quentes e, ainda, dependendo da ocasião, apoio também para a petisqueira, evitando manchar o tampo da mesa.

O Grau Zero da Escrita. (BARTHES, R.): adorno para suvaco. Filosofia de axila para impressionar o sexo oposto - ou o mesmo se for o caso.


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Sexta-feira, Agosto 11, 2006

 
O RETORNO À HISTÓRIA

Eu bem sei que essa é uma velha discussão. E se é velha já por aqui, imagine nos lugares onde ela se originou... Mas como todo reaça gosta de velhas discussões, eu não fujo a regra, apesar da resistência a alcunha jocosamente imposta pelas amigas. E não acho realmente tão esgotada assim. E acho que teorias são pontos de vistas discutidos nos lugares errados - à academia, eu sugiro teses em bares - mas com a mesma lógica de exercício retórico e auto-afirmação. Elaborar uma tese é como fazer doces em compotas em cidades pequenas: é uma delícia, mas só sabe quem faz e quem degusta. E os acadêmicos são os compoteiros: cheios de si, de aromas, cores e paladares. Em suas cidades, é claro.

A Discussão

Pretender, pretender função mesmo - e a letras em computadores fazem falta entonação e olhar -, pra mim, só as ciências exatas, médicas e afins. Essas que constroem prédios, salvam vidas, criam coisas. História não tem função (mas e daí?). E todas as que pretendeu, frustradoramente não cumpriu. E, convenhamos, a melhor e mais divertida pretenção é a tal 'Mestra da Vida': aquela que faz a humanidade aprender com os erros do passado. E nem preciso explicar porque, não é?

Bem, no meu ponto de vista, História é fruição, é necessariamente uma experiência estética. E fruição não tem função, não se relaciona de forma direta com a prática. Fruição se relaciona com a vida, com a existência, com nossas elaborações sobre ela, sobre nós. E, assim sendo, fruição - e História - não são pra humanidade, são pra mim, só pra mim, na medida em que me toca - sentimento e paixão - ao se entrecruzar com minhas próprias experiências vividas.

***

E qual seria, então, a função de existir?

***

Por isso, a História se enriquece muito mais quando abandona as pretenções à ciência e se admite como criação artística - mas só por que a arte e a ciência foram cruelmente separadas e hierarquizadas -, quando se livra dos limites das imposições racionais, fica libertina, enfeita-se, dança e embriaga-se para dormir com a literatura. Tal qual uma noite mágica dessas em que se conhece alguém pelos bares, essa é, definitivamente, uma relação que eu compreendo.

***

E ela se refastela: bêbada e encantada.


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Terça-feira, Julho 04, 2006

 
FIM DE POSSÍVEIS POLÊMICAS

Sobre o [meu] conceito de reacionário:

REACIONÁRIO (Dic. Houaiss)
- adjetivo

1. relativo, pertencente ou favorável à reação, ou caracterizado pela mesma; reacionarista, reacionista

2. Rubrica: termo jurídico.
contrário, hostil à democracia; antidemocrático

3. Rubrica: termo jurídico.
que se opõe às idéias voltadas para a transformação da sociedade

- adjetivo e substantivo masculino
Rubrica: política.

4. que ou aquele que defende princípios ultraconservadores, contrários à evolução política ou social; reacionarista, reacionista

Sinônimos/variantes
ver sinonímia de retrógrado

[grifos meus]

Ou seja: reacionário é sempre o outro e nunca eu.


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Domingo, Julho 02, 2006

 
O AMOR E A CIÊNCIA
E a ciência é essa coisa tão humana
(Parte II)

*Até que veio rapido, hein?

O problema é que eles sempre prendem a revista de Domingo. E, por ser coloridinha, moderninha, não ser impressa com aquela tinta que me causa irritante alergia e, principalmente, pelo fato de não chegar, ela é sempre a mais aguardada. Mas os vizinhos têm atrasado cada vez mais tempo. Antes, eles mandavam-na, geralmente, na quarta-feira, um dia após a remessa do jornal de domingo que chega, geralmente, na terça, junto com o da quinta e o da sexta e o da segunda. Acredito eu - é claro que já elaborei uma teoria explicativa sobre isso - que algum membro da família de 4 pessoas, pai, mãe, filho, filha, não está em casa no domingo e pede para os outros demais membros guardarem a revista para ele. Como na segunda feira o membro faltoso do domingo acorda cedo para trabalhar, ele só vai começar a ler a revistinha na segunda à noite, vai interromper por que acordou cedo e está caindo de sono, vai retomá-la e terminar sua leitura na terça a noite, o que implica que ela só seja entregue na minha casa na quarta-feira no finzinho da manhã. Tudo bem, eu não me importava. O membro faltoso do domingo pode ler a revista que eu espero. A questão é que agora - e eu ainda não elaborei nada sobre isso - a revista está vindo com muito atraso. Por exemplo: anteontem, dia 30, eu recebi a revista de 11 de junho, o que já contam um total de quase quatro semanas de atraso!

E isso tem me causado uma ansiedade angustiante.

***
E ao contrário do que possam pensar os leitores, eu não sou tão reaça a ponto de odiar jornais. Só aos jornalistas.


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Sexta-feira, Junho 30, 2006

 
O AMOR E A CIÊNCIA.
E a ciência é essa coisa tão humana.
(Parte I)


Aqui em casa não se compra jornal. E não sei por que cargas d'água isso acontece, por que a memória que construí sobre mim, minha família e identidade, passam pela feliz lembrança de livros. Livros que papai trazia toda vez que chegava após longos 15 dias de escala no trabalho. Ele trazia sempre um livro e Gamadinhos, aquelas balinhas, hoje gordurosas, que imitam pasta de amendoim. Eu me lembro que na infância elas não eram gordurosas. Meu paladar fantástico achava a coisa uma iguaria deliciosa. Comia as balas e devorava os livros. De imediato.

Durante a adolescência eu não fui super linda, super gostosa. Nem super loira. Nem podia usar blusinha Píer, mochila Company e sapato Redley. - Tá bom. Uma vez eu insisti tanto que acabei ganhando um. Nauru. O primeiro e derradeiro. E até gastar a sola de borracha vagabunda me senti inserida. A única possibilidade que vislumbrava de ser qualquer coisa parecida com gente era ser inteligente, ou pelo menos parecer. E, então, aí, eu comecei a me enamorar pela erudição. Tola e ingênua como ela pode aos 14 anos - E, nem sei, talvez até mais aos 40. Mas de alguma maneira eu fazia a diferença. E agradava muito mais aos amigos de papai e a galera de mais idade do que aquele pessoalzinho do colégio. As mães das amigas me adoravam. De certa forma eu era um bom exemplo. É claro que eu não era só isso - meio sorriso sarcástico agora - mas esse eu é o que importa aqui neste texto quase edificante.

E de toda essa odisséia da aceitação eu me lembro que de meu pai pegava emprestado muitos termos rebuscados e exemplos filosofais. Papai, operário que foi, sempre muito preocupado com os caminhos da economia e da política mundial. Genial!, era o que eu achava em nossos recorrentes e longos diálogos. Mami ensaia poiesis. E dela eu fui herdando o gosto pela literatura aparentemente frouxa e descompromissada, pelas poesias românticas, pelas palavras que almejam o indizível.

Mas a minha deliciosa memória criada não me explica: por que raios essa família tão afeita a leitura não compra jornal? De modo que, como num ritual, aguardamos a cada dois ou três dias a vizinha da casa dos fundos deixar os jornais passados na mureta que divide nossos espaços. Às vezes ela demora. Eu reclamo. Papai ria. Agora reclama também: ___Tem jornal? Droga, esse pessoal aí de trás é fogo. Sempre atrasam o jornal. Mamãe continua rindo. E quando o jornal chega, a família se reúne no quintal nos fundos da casa para ler as novidades. E mantemos o hábito da leitura. E ali mesmo discutimos os artigos: viajamos na política mundial, na filosofia, compartilhamos as crônicas e a vida dos artistas, questionamos a politica econômica, a medida provisória, o resultado da CPI. De ontem, anteontem. Da semana passada. E tem sido assim desde que chegou o cachorrinho. Agora, ele não precisa mais dos jornais para as suas necessidades, mas o folhetim continua se empilhando aos montes em cima da máquina velha de lavar roupas.

***

Esse texto vai ficar enorme. Pressinto.

Então, para não te (me?) encher eu escrevo por partes.

***
Não aguarde a parte II. Pelo menos não com muita certeza.


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Terça-feira, Junho 20, 2006

 
ESSA SOU EU

Já que blog é uma coisa narcísica, né?

Minhas amigas de formação dizem que eu mereço um programa matinal na TV Globo. E que semelhante concorrência só haveria na TV a cabo com o Conexão Manhattan - e elas ora riem, ora se irritam quando eu pronuncio assim. Meu programa matinal se intitularia, segundo elas é claro, Acorda Reaça!

***

Hãn? Eu não sou reaça!!!

***

O programa teria a minha cara, dizem elas. Feito especialmente para mim. E pelo que me parece, seria algo singular na TV brasileira: um programa matinal para discutir filosofia, política, sociedade e cultura. E seria então, uma espécie de misto de Ratinho, Gilberto Barros e coisas do gênero, com Programa do Jô, Ana Maria Braga, Manhattam Connection e David Letterman.

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Caceta. Dificil imaginar.

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O pior é imaginar o juízo que as amigas fazem de mim. Depois desse projeto de programa, eu até tentei rever minhas relações, mas confesso que não perseverei. Continuo com as mesmas grosseiras piadinhas inoportunas, as mesmas receitas de "faça assim que da certo", e o mal-humor e a intolerância costumeira quando as coisas não são do meu jeito. Reunião com rápida passadinha para compras no shopping, por exemplo. Eu simplesmente odeio. E não lembro da amizade nessa hora. Mas a pior parte: eu sempre tento convencer que não é nada disso - sim, eu sou uma ótima amiga! - vocês é que não me compreendem.


O Acorda Reaça.

Agora eu vou dizer por que é que um programa desses não pode estar atrelado a minha personalidade.

Primeiro porque me tira o humor a possibilidade de discutir política na TV. Motivo? Oras, porque a classe artística e televisiva só discute moda e amenidades.
__ Ah, e se o programa não tivesse a participação da classe artística mas sim dos intelectuais e pensadores? Grandes coisas um programa matinal comigo de apresentadora para discutir esse papo aí e ainda por cima com a participação dos intelectuais. Chato bagarai, né não? Nem eu ia assistir. E ademais, o participante ia ter que saber menos que eu, é claro. Porque se colocar um cara sabichão, como é que eu iria gastar nas ironias e piadinhas? Se for assim, eu ainda vou encerrar o programa dizendo que o cara é ignorante pra cacete e que não dá pra entrevistar o sujeito. Imagina só eu discutindo com o Zé Murilo. Eu sempre achei o cara meio ultrapassado mesmo. Cai fora do set, ... o programa tá chato pra caceta. Esse teu papo já era. Tua tese foi defendida lá em 1900 e blá blá blá. Tu tá precisando se reciclar...

Segundo porque eu odeio esse negócio de idéia pré-concebida. Se o cara quer participar de um programa de discussão, como é que ele vem cheio de idealismos, ideologias e das teses? Como é que ele vai falar sobre o trabalho dele? Ah, no meu programa não! Porque todo mundo já sabe da minha tendência a iconoclastia. Se é pra discutir então vamos discutir. Como é que você vai vir pro programa com o discurso pronto e cheio das convicções? Aqui você não vai apresentar seu trabalho, não. Que é o único assunto que você conhece e que você repete em todos os seminários que você é convidado a falar pra todo mundo te aplaudir no final. No meu programa não! Pra mim isso não é debate, é explanação. Então, se vier pra cima de moi falando do liberalismo, da terceira via, da democracia, eu vou logo falando da sociedade mais justa, da estatização e, pra falar a verdade, eu vou até acreditar que a ditadura do proletariado em algum momento se faz necessária a sociedade. Já se vier com esse discurso de luta de classes e de sociedade mais justa eu mando logo uns papos de fragmentação dos modelos, da multiculturalização, da globalização e do capital. Agora, se começar com o papo de pós-modernidade, aí é que eu não agüento: digo logo que isso é conversa pra gente pirada, que quer classificar tudo, mando cortar o microfone dele e fico fazendo cara de entediada enquanto ele movimenta os lábios em frente às câmeras.

Terceiro: no meu programa, todo dia o telespectador vai ser afrontado e ofendido. Pra deixar de ser otário. Porque eu sei que o Zé Povinho só gosta é de churrasco e de pagode. Logo, se você que está aí em casa assistindo esse programa não sabe o significado da palavra ou da expressão utilizada pelos participantes, deixa de ser à toa, de ficar assistindo novela e gastando dinheiro fazendo faculdade Estácio de Sá e vai estudar, cambada de ...

Em quarto lugar: presta logo atenção produção! No meu programa quem manda sou eu. E não tem nada desse negócio de ficar dizendo que tem que seguir um roteiro, não. Nem que não pode falar isso nesse horário. Essa gente burra tem mais é que aprender. E não vem com esse troço que tem de respeitar o entrevistado não porque eu odeio essa gente que pensa que sabe de tudo.

Quinto e último: se eu quiser defender o Lula, o problema é meu. Se eu quiser defender o Fernando Henrique o problema é meu. Coerência é papo pra classe média com diarréia reivindicando justiça no plano de saúde. E foda-se que não pode dizer que o Brasil é uma merda por causa desse raio desse povo de bunda que tem aqui.

***

Intervalo comercial no Acorda Reaça? Deixa esses babacas consumirem bastante porcarias, pra encher meus burros de dinheiro. Agora, não me vem por raio de anúncio do MacDonalds não que eu odeio aquele palhaço imperialista.


Hora do lanche no Acorda Reaça? PRODUÇÃO!!! PRODUÇÃO!!! Anda cambada! Me traz aí um rangão maneiro, com lasanha, farofa, bife, batata frita que depois de 8 horas de gravação eu tô morrendo de fome!!! Hã? Pro entrevistado? Traga uma quichezinha de ricota e a Folha de São Paulo que ele gosta...

***

É, a TV aberta no Brasil só tem porcaria.


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